EPISÓDIO III – PSICOSE

O melhor amigo de um garoto é a sua própria mãe.

Norman Bates

Após roubar 40 mil dólares do próprio patrão, Marion Crane, interpretada pela atriz Janet Leigh, foge sem destino atravessando várias cidades e durante uma súbita tempestade, decide passar a noite em um motel que encontrou no meio do nada. Ela conhece então o educado e simpático proprietário do estabelecimento, Norman Bates, interpretado pelo ator Anthony Perkins, um jovem com um interesse em taxidermia e com uma relação conturbada com a própria mãe. O que parece ser uma simples estadia no local torna-se em uma verdadeira noite de horror.

O que o Sir Alfred Hitchcock fez com Grace Kelly, Kim Novak, Tippi Hedren e outras louras e atrizes morenas de seus filmes fora descrito em detalhes no livro Fascinado pela Beleza, de Donald Spoto. Entretanto, o que ele fez com Lisa Fremont, Madeleine Elster, Marion Crane, Marnie Edgar e outras louras e morenas de seus filmes? Elas não são atrizes, mas algumas das personagens de Hitchcock, talvez as mais famosas e também, com o acréscimo de mais três ou quatro, as mais representativas da obra do cineasta.

Lisa é a modelo interpretada por Grace Kelly em “Janela Indiscreta”; Madeleine é a mulher que “morre” duas vezes em “Um Corpo Que Cai”; Marion é a ladra encarnada por Janet Leigh em “Psicose”; e Marnie, a cleptomaníaca vivida por Tippi Hedren em “Marnie, Confissões de Uma Ladra”. Lisa e Marnie, afinal, se dão bem; mas Marion acaba punida pela sanha homicida de Norman Bates; e Madeleine despenca duas vezes do campanário da Missão de San Juan Bautista, a segunda com o corpo de Kim Novak.

Hitchcock não era um tanto ou quanto sádico com suas atrizes apenas, mas também com as figuras femininas de suas fantasias cinematográficas. As heroínas frágeis e mesmo ingênuas, carentes de arrimo masculino, como as senhoritas de Joan Fontaine em “Rebecca – a mulher inesquecível”, não são a maioria na mitoginia hitchcockiana. Acrescentem a esse grupo as mães dominadoras, ou suas substitutas, estorvo de filhas edipianas, como a segunda sra. de Winter de Rebeca, a Madeleine Elster de “Um Corpo Que Cai” e Marnie, noras fragilizadas como a “Alicia de Interlúdio”, e sombra problemática até na vida dos filhos como a sra. Anthony, mãe de Bruno, em “Pacto Sinistro”, mesmo quando interferem na trama de forma benigna, como a mãe de Frances Stevens/Grace Kelly em “Ladrão de Casaca” e a de Roger Thornhill, Cary Grant em “Intriga Internacional”, ambas aliás interpretadas pela mesma atriz, Jessie Royce Landis.

Sobre a relação dele com as atrizes que estrelaram os filmes do direotr foi revelado pela atriz americana Tippi Hedren que o Sir Alfred Hitchcock lhe agrediu sexualmente e a intimidou quando trabalharam juntos na década de 1960. Hedren já havia acusado o diretor de assédio sexual em numerosas ocasiões, incluindo em entrevistas em 2012 para o filme da HBO “The Girl”, que relata a suposta obsessão do cineasta com ela, mas em “Tippi: A Memoir“, a atriz afirma que o assédio do diretor deu lugar à agressão em algumas ocasiões.

Tirada da obscuridade por Hitchcock no filme de 1963 “Os Pássaros”, Hedren afirma que após assinar um contrato de cinco anos com o diretor passou a ser assediada com frequência. Segundo a atriz, certa vez Hitchcock se debruçou sobre ela, em sua limusine, e tentou beijá-la. Em outra ocasião, o diretor a encurralou e pediu que o tocasse. “Cada vez que o encontrava só ele tinha alguma maneira de expressar sua obsessão por mim, como se eu devesse lhe corresponder de alguma forma”. Hedren, mãe da atriz Melanie Griffith, também afirma que Hitchcock utilizava seu motorista para pressioná-la.

Hitchcock e Hedren trabalharam juntos em “Marnie”, um filme baseado na história de uma cleptomaníaca com problemas mentais e sexuais. A atriz disse ter consciência sobre a crença generalizada de que um homem que obriga sua “namorada frígida, inalcançável” a manter relações sexuais com ele era uma fantasia pessoal de Hitchcock sobre ela.

O cineasta britânico, que faleceu em 1980, manifestou seu amor e ficou agressivo na medida em que era rejeitado, revelou a atriz. “Jamais revelei detalhes sobre isto e não o farei nunca. Simplesmente digo que ele me agarrou e colocou as mãos sobre mim”. “Era sexual, perverso e feio”, revelou Hedren, que não comentou nada antes porque na ocasião “assédio sexual e assédio eram termos que não existiam”. Hitchcock, frustrado com a resistência da atriz, teria ameaçado arruinar sua carreira.

A filha de Hitchcock, Patricia Hitchcock, interpreta no filme Psicose a personagem Caroline que aparece no inicio do filme trabalhando com a Marion.

Um remake homônimo do longa-metragem fora filmado pelo diretor Gus Van Sant em 1998, apesar de possuir um elenco recheado de atores famosos, Vince Vaughn, Anne Heche, Julianne Moore, Viggo Mortensen, William H. Macy, Robert Forster, Philip Baker Hall, porém foi um fracasso total de bilheteria.

Na cena em que o carro da Marion Crane está naufragando no pântano, percebemos ao final da submersão do carro, um discreto sorriso de canto de boca da personagem Norman Bates demonstrando assim, um prazer mórbido pela morte.

Hitchcok pouco antes de morrer, em 1979, recebeu o título de Sir que fora dado pela Rainha Elizabeth II da Inglaterra.

Sir Alfred Hitchcock queria que Janet Leigh atuasse nua na cena do chuveiro, uma ousadia para a época. “Eu o adorava, mas ele tinha a mente travessa”, disse ela.

A Atriz Janet Leigh é mãe da também atriz Jamie Lee Curtis famosa pelos papéis em “Halloween: A Noite de Terror” (1978) e “True Lies” (1994).

Até hoje exitem boatos que o ator Anthony Perkins que apesar de ter sido casado com Berry Berenson (1973-1992) era homossexual e que teve um longo caso com o também ator Tab Hunter, porém não assumiu a própria opção sexual por sentir medo de ser excluído dos quadros de atores de Hollywood. Está sendo um produzido um filme, Tab & Tony, que narrará a vida amorosa de ambos, porém ainda sem previsão de lançamento. Anthony Perkins faleceu em decorrência da AIDS.

Na cena em que Norman encontra o corpo da Marion no banheiro, ele se assusta e acaba derrubando um dos dois quadros de pássaros localizados na parede. O quadro que caiu representa a Marion Crane e o outro quadro do pássaro que ficou na parede representa a irmã dela, a Lila Crane.

PRÊMIOS E INDICAÇÕES

OSCAR (1961)

Foi indicado nas categorias de: melhor Diretor, Alfred Hitchcock, melhor Atriz Coadjuvante, Janet Leigh, melhor Fotografia, John L. Russell, e melhor de Direção de Arte – Preto e branco, Joseph Hurley.

GLOBO DE OURO (1961)

Venceu na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante, Janet Leigh.

EDGAR ALLAN POE AWARDS (1961)

Venceu nas categorias de: melhor Filme, melhor roteiro, Joseph Stefano e melhor Autor, Robert Bloch.

Nota geral:

Mais sobre:


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Locação original onde fora gravado o filme

Nos encontraremos novamente em quinze dias.

Até mais.

 

 

 

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